A viagem realizada a Brasília pelos vereadores da base do governo Kaká Fernandes (PL), Elizeu Pereira (MDB), Marcos Kurtz (Podemos) e Samir Dawud (Cidadania) a Brasília, entre 19 e 21 de março, gerou uma série de críticas, polêmicas e ironias em Balneário Camboriú. A principal controvérsia ocorreu porque a estadia dos parlamentares coincidiu justamente com o jogo da Seleção Brasileira contra a Colômbia, realizado no estádio Mané Garrincha.
Os gastos detalhados no Portal da Transparência revelam que Kaká Fernandes recebeu o valor mais alto, totalizando R$ 4.854,82. Já os vereadores Elizeu Pereira, Marcos Kurtz e Samir Dawud receberam valores idênticos de R$ 4.315,40 cada um, destinados a cobrir custos com transporte, hospedagem e alimentação. No total, os quatro parlamentares receberam juntos o total de R$ 17.801,44 em diárias.
Marcelo Achutti critica e ironiza colegas em sessão
Durante sessão na Câmara Municipal, o vereador Marcelo Achutti fez duras críticas aos colegas, especialmente pela frequência das viagens realizadas por Kaká Fernandes, e ironizou a motivação dos parlamentares em Brasília:
“Nós fizemos uma reunião no início do ano e concordamos em enxugar essas viagens por responsabilidade com o dinheiro público. Quarta-feira em Brasília é sombra e água fresca, quinta-feira a turma já começa a voltar, e sexta-feira já estão todos em seus estados. Não estou aqui para criticar ninguém pessoalmente, mas fomos todos jogados na vala comum devido a essas viagens.”
Achutti ainda questionou, especificamente, a justificativa da viagem feita pelos vereadores do PL em busca de recursos junto ao governo federal liderado pelo PT:
“Com todo respeito, vereador Renan Bolsonaro, mas o Kaká Fernandes é do PL e não é do PT. Se fosse o vereador Zanatta indo duas, três, quatro vezes, seria mais compreensível pela ligação com o governo federal. Agora, vereadores do PL viajarem para Brasília às vésperas do jogo do Brasil contra a Colômbia é algo no mínimo curioso. Estão indo mais vezes do que o próprio senador Esperidião Amin, cuja função é realmente representar Santa Catarina em Brasília.”
Marcelo Achutti concluiu afirmando estar constrangido com a situação:
“Hoje acordei com o telefone tocando, imprensa questionando, sendo cobrado na rua. Não fui a Brasília e não iria apenas para assistir ao jogo do Brasil. Sinto vergonha pela proporção que isso tomou. Os colegas deveriam usar o exemplo da ex-vereadora Juliana Pavan, que quando esteve aqui combateu duramente gastos abusivos com viagens e diárias.”
Jornalista faz videochamada ao vivo com vereadores durante jogo
A polêmica ganhou novos contornos quando o jornalista Nilton Bleichvel fez uma videochamada na noite do jogo do Brasil, conversando diretamente com os vereadores Marcos Kurtz e Samir Dawud. A chamada, que viralizou rapidamente, revelou um clima de tensão e ironia entre os envolvidos.
Ao iniciar a conversa, o vereador Samir Dawud se mostrou descontente com o jornalista:
Samir Dawud: “Eu estou magoado contigo, cara. Tô magoado contigo.”
Nilton Bleichvel: “Por que você está magoado? Porque eu não deixei vocês verem o jogo do Brasil?”
Samir Dawud: “Não deixou nada!”
Nilton Bleichvel (irônico): “Então mostra a televisão aí, que vocês estão vendo o jogo!”
Em seguida, o vereador Marcos Kurtz entrou na conversa, incomodado com a repercussão negativa:
Marcos Kurtz: “Vocês falam um monte de bobagem, depois querem se desculpar. Fala bobagem e vai ter que provar!”
Nilton Bleichvel: “O que eu falei de bobagem? Eu falei das diárias.”
Marcos Kurtz: “Nada disso! Olha bem o teu vídeo.”
Nilton então ironizou perguntando se estavam apenas os dois vereadores no local, e Kurtz respondeu provocativamente:
Marcos Kurtz: “Kaká, Elizeu… tá todo mundo aqui! Vou mandar um vídeozinho pra ti depois, pra você guardar.”
O jornalista encerrou a chamada, mantendo o tom irônico: “Boa noite pra vocês aí.”
Samir Dawud ironiza críticas e diz estar “assistindo jogo de camarote”
Posteriormente, o vereador Samir Dawud publicou um vídeo com tom de ironia nas redes sociais, debochando dos críticos que apontavam o uso indevido das diárias para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira em Brasília:
“Aí, rapaziada, assistindo o jogo de camarote aqui, parece que estamos dentro do campo. Estamos aqui eu, o vereador Kaká Fernandes, nosso presidente Marquinho Kurtz, vereador Elizeu. Pro bando de falador aí de Balneário: primeiro pesquisem, investiguem. Falando em futebol, depois vamos apresentar os golaços que fizemos aqui em Brasília essa semana, né rapaziada?”
A atitude irônica do vereador aumentou ainda mais o desconforto público em relação ao episódio.
Kaká Fernandes publica mensagens suspeitas e alega ser hackeado
Como se não bastassem as controvérsias anteriores, o vereador Kaká Fernandes criou nova polêmica ao postar, acidentalmente, mensagens no status do WhatsApp que sugeriam uma possível negociação relacionada a um evento:
“Nelson. Acabei de pegar ele aqui. Diz que vai ser revisto! Mas 100% não tem como insertar Kaká. Pq está tendo cobrança de ingresso. Só pode neste caso se for gratuito a totalidade do evento.”
Kaká imediatamente apagou as mensagens e alegou ter sido vítima de um ataque hacker. Em comunicado posterior, afirmou que o episódio era um “ataque pessoal e político”, mas não apresentou registro oficial de ocorrência sobre o suposto ataque, levantando ainda mais dúvidas e críticas por parte da opinião pública.
Gastos e repercussões
Em meio à repercussão negativa, os gastos dos vereadores com diárias em Brasília já somam quase R$ 70 mil em apenas três meses de 2025.
O vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), irmão do deputado federal Eduardo Bolsonaro, foi o único a devolver integralmente o valor das diárias recebidas no mês anterior, alegando responsabilidade com o dinheiro público:
“Quando fui para Brasília, fiquei hospedado na casa de amigos. Tenho responsabilidade com dinheiro público. Temos outras prioridades como saúde, educação e segurança. Não dá para ficar gastando igual o atual desgoverno”, declarou Renan.